eu, você, a saudade e o mar
não consigo dormir.
mais uma noite e não consigo dormir.
dessa vez, não consigo parar de pensar na saudade.
é tanta que eu precisei te contar, mas é tanta que eu não soube explicar.
eu não consigo parar de pensar na saudade porque eu tentei te contar sobre ela e ficou parecendo dor, quando eu queria te contar sobre o tamanho do meu amor.
esses dias eu li um livro que falava sobre o mar.
eu também sinto falta da praia e acho que entendi que talvez essa seja uma forma de te contar que a minha saudade de nós dois é um sentimento parecido com estar sentada na areia olhando as ondas se movimentarem.
é que a água está sempre ali, a onda se movimenta, ora com mais força, ora com menos força. a água vai e volta pra perto da areia, mas está sempre ali. enquanto a água se movimentar, existe vida nesse mar. tem vento que dá força pra ele existir. tem todo um ecossistema que funciona enquanto essa ondinha está ali, se movimentando pra lá e pra cá, me fazendo sentir um monte de coisa. é a força da vida.
e a minha saudade é assim. às vezes as ondinhas trazem as memórias de você pra bem pertinho de mim, às vezes te levam pra um pouquinho mais longe, onde eu ainda consigo ver, consigo admirar, mas te deixam nesse lugar onde o meu coração bate mais forte e me faz suspirar, agora de olhos fechados, pra tentar te aproximar de outra forma. é parte do movimento da ondinha, mas não é dor, sabe? é a força da vida.
a minha memória gosta de brincar com meu coração e a minha saudade fica assim, meio perdida, feito boba, sem saber se te encontra com os olhos fechados ou com os olhos abertos, imaginando o dia que vai poder mergulhar no mar, matar a saudade, poder te ver quando eu abrir os olhos, mas escolher continuar te vendo também quando eu fechar e começar a sonhar. e mergulhar outra vez em você, em nós dois.
eu, você e um mar inteirinho pra navegar.