pra morrer basta tá vivo
Porque eu quero viver?
Porque eu quero conhecer mais mundo.
Porque eu quero mais ar no meu pulmão.
Eu quero girar, girar, girar 3x e não sentir medo de não saber onde estou e quem essas pessoas são.
Eu quero conhecer bandas novas,
ao mesmo tempo que continuo me acolhendo ao som daquelas mesmas músicas que me contam as mesmas velhas histórias.
Quero um dia me casar, mas acho que já desisti de sonhar com uma cerimônia bonita e um altar.
Eu quero ir em muitos shows, peças de teatro, ir ao circo, comer pipoca e comprar fantasias iguais pra mim e pra minha família.
Quero escrever mais poesia, quero fazer música com eles, quando a chora chegar.
Quero transformar eles em cinema, se a hora chegar.
Quero ler livros pros meus filhos antes de dormir, eu espero que esse dia possa chegar.
Queria levar eles pra (re)conhecer o mar.
Eu quero mais mergulho no mar.
Mas eu não quero só ver a onda chegar, eu quero ir até lá, em alto mar, sentir o frio na barriga que dá com a temperatura diferente de cada lugar.
Quero novos corpos pra abraçar, novos lugares pra conhecer, outras sabores pra provar e novos sons pra sentir.
Eu quero ir.
Eu preciso ir.
Navegar é preciso e o outro lado do oceano só está há distância de algumas horas de céu e umas gotas de Rivotril.
Eu consigo.
Depois que a gente cresce, a gente reconhece a força do chão, a gravidade da terra, o peso dos pés.
Mas talvez voar não seja um desperdício, enfim.